O ser superior distingue-se pela aptidão que tem de observar os outros.
Navega na decomposição social. Realiza em si uma visita guiada pela evolução industrial, pelos destroços paisagísticos, pela política hipócrita e pela anquilose humana.
Faz uma ablução milimétrica cada vez que pensa pensar, e revê em cada rebanho social a abnegação de o fazer também, e isto frustra-o. Irrita-o. Ira-o.
Com efes-e-erres coloca cada espécie na sua mente, pensa-a, estuda-a, repensa-a, e só depois a define. Não conclui abruptamente, tem a capacidade de distinguir.
Teme-se a si próprio e teme ainda mais não ter o poder de mostrar a verdade, é absentista.
Vive na esperança que noutra sociedade tudo melhore, ou que esta mesma milagrosamente o faça. Mas este não espera. Não espera pelo bumbúrrio político e social.
Ele prossegue insatisfeito, satisfazendo-se com a inglória dos “felizes” e com a insatisfação dos seus pares.
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